segunda-feira, 7 de junho de 2010

14 dias... e uma história do meu caminho de vida


Ando à dias para partilhar esta história simples mas muito especial... só hoje consegui parar um pouco para o fazer minimamente como deve ser, porque por mais palavras que escreva dificilmente conseguirei transmitir isto com a intensidade com que este simples acontecimento me bateu cá dentro...
Era sexta-feira e andava nas voltas do trabalho de campo pela zona de Trás-os-Montes, nas curvas e contra-curvas da Nacional 15, o calor apertava, ora o calor transmontano não fosse fustigante e intenso, vidros do carro abertos e serpenteando suavemente seguia caminho. Eis que de repente tive de abrandar e parar o carro para que um rebanho com umas 30 ovelhas pudessem passar... como seria de esperar no fim do rebanho vem sempre um pastor.
Aproximou-se devagar da janela do meu carro e com tamanha gentileza na abordagem, que as primeiras palavras foram logo de agradecimento por ter esperado e não ter mal tratado nenhuma das suas ovelhas, seguido então de um afável bom dia. No seguimento destas palavras, rapidamente lhe disse que quem anda nestas estradas tem de contar com estas situações e ter paciência, e claro está que não havia qualquer problema. O senhor tornou a agradecer, e mais uma vez me agradeceu, mas não sem antes me perguntar onde ia, com um típico "Para onde vai senhor?", respondi-lhe que ia em direcção a Vila Real, e quando me preparava para retomar marcha, repetiu várias vezes o agradecimento, e que o Senhor me guiasse, acompanhasse e ajudasse. Boa viagem meu senhor, boa viagem. Retribuí o desejo de boa viagem e bom dia e segui caminho.
Durante os instantes de percorrer uns cinquenta metros, pensei que devia ter guardado algo mais daquele encontro -uma fotografia. No mesmo momento encostei o carro no primeiro sítio com a berma mais larga, peguei na máquina e segui a correr atrás do pastor.
Quando cheguei ao pé dele meio esbaforido, perguntou-me: "Então menino que viestes fazer?". Pedi-lhe para lhe tirar uns retratos, mas ele envergonhadamente dizia: "Mas ó senhor eu estou tão mal arranjado.". Fiz-lhe ver que isso não seria problema algum, que cada um é como é e pronto. Vencido este obstáculo, comecei a fotografar e devagarinho quando procurava novos ângulos apercebia-me que a postura do senhor, era hirta como antigamente se posava para um retrato e que à medida que me ia movimentando em seu redor ele ia acompanhando a máquina ficando sempre de frente para mim.
No meio dessa situação, perguntei-lhe o nome, ao que me respondeu: "Adelino, senhor!", estendi-lhe a mão para um forte bacalhau e apresentei-me: "Eu sou o Bernardo.". Dado mais este passo no conhecimento um do outro, continuei a fotografar e ainda lhe perguntei: "Senhor Adelino, há quanto tempo é pastor?", respondeu, "Oh senhor, desde os 8 anos!". De imediato, tinha de vir a pergunta seguinte, que idade teria... 79 anos!
Era pastor há 71 anos, dizia ele porque naquele meio onde vivia, era o pastoreio que lhe conseguia dar algum sustento.Fiquei a pensar nisto, 71 anos de vida a trabalhar sempre para sobreviver com a simplicidade a que dificilmente hoje qualquer ser humano de vila ou cidade se habituaria a viver. 71 anos de trabalho duro pelo monte, com frio, calor, chuva, neve... uma vida a lutar... uma vida cheia de valor, que o próprio nem se apercebe...
Depois de tirar meia dúzia de fotografias, mostrei-lhe as imagens e nisto de súbito ele pega na minha mão e dá-lhe um beijo e diz: "O senhor está a ser tão meu amigo! Venha-me ver mais vezes, vem?"
Fiquei atordoado com a força daquele pedido de uma pessoa que devia andar sedento de um pouco de atenção e companhia. Tocou-me muito, mas tal foi o atordoamento que a minha resposta não foi grande coisa, respondi apenas que como passo ali várias vezes que por certo nos voltaremos a encontrar.
Despedi-mo-nos e e fiz-me ao caminho... há quatros dias que esta história me vem constantemente à cabeça. Espero que em breve, ou na pior das hipótese quando chegar do caminho, uma das primeiras coisas a fazer será ir visitar o Sr. Adelino.
Como dizia num dos textos deste blog, todos os dias fazemos caminho, seja de casa para o trabalho, no trabalho, fora dele, até na estrada nacional 15... Bem-haja senhor Adelino, por este pedaço de caminho que me enriqueceu e fez ver a vida por mais um prisma diferente.
Faltam 14... 13 dias para me lançar em mais um caminho... até já!

domingo, 30 de maio de 2010

22 dias... menos um... detalhe!

A constatação mais fácil de fazer é que o tempo passa e passa depressa... e as coisas vão-se encaminhando não da forma idealizada, mas da forma como acabam por acontecer.
Penso que na vida é sempre assim, um daqueles clichés em que todos caímos: fazer planos para depois nos desviarmos deles ou eles se desviarem de nós, volta à carga a eterna relatividade das coisas... mas o que é certo é que as peças mal ou bem acabam por se encaixar por consequência das nossas acções, daquilo que nos propomos fazer e alcançar, tudo com a interferência de todos aqueles com quem partilhamos o nosso mundo... e assim mal ou bem as peças encaixam.

Há uns dias já valentes troquei um mail com um peregrino de bicicleta, o Manuel Correia, que acabou o caminho recentemente e que também montou o seu blog ao longo do caminho. Seguindo a sua dica combinei com o meu irmão para este me actualizar o blog diariamente, em função dos MMS que lhe for enviando... assim de uma forma muito prática a questão do blog ficou resolvida. Menos um detalhe com que me preocupar.

Agora falta começar com a logística da coisa: bilhetes de comboio, material, listas... e ainda que adiantado pensar um pouco em como preparar uma exposição especial, porque dado o apoio que tenho recebido tem de ser algo bonito e que possa exprimir a alegria de poder partilhar daquela forma o caminho com todos os que me têm incentivado à aventura.

Amanhã já será menos um dia... começa a corrida desenfreada... three weeks ticking...

Com este andamento todo e a cabeça a mil, por muita coisa idealizada, neste momento já não consigo ter esse discernimento... já estou como o senhor variações dizia... eu quero é viver... venha o caminho.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

25 dias... e um acrescento idiota

Para dar um andamento diferente ao projecto do caminho e envolver as pessoas, e resolver "problemas logísticos", pensei em realizar uma exposição de fotografia sobre a experiência desta aventura (as pessoas, as histórias, a natureza e as paisagens) e quem quisesse participar nesta iniciativa e dar o seu contributo pré-comprava uma fotografia que vai estar patente na exposição.

Assim retribuía o apoio dado em fotografias a cada apoiante (e especialmente dedicadas a estes).

As fotografias resultariam em ampliações assinadas 20x30 cm aplicadas em K-line para poderem ser emolduradas, fazendo uma exposição num local a acertar, as fotografias no final seguiam para a casa dos respectivos patrocinadores (seja entregue em mãos ou pelo correio).

O preço de cada fotografia exclusiva ampliada (aplicada em K-line) ficaria nos 20€, tendo de arranjar apoiantes para pelo menos 50 fotografias, de modo a suportar a logística dos 34 dias de travessia.

Cada apoiante seria livre de comprar à partida quantas fotos quisesse. Bastaria que o apoiante, me enviasse um email a dizer o seu nome, morada e contacto de email ou telefone, número de fotos pretendidas, e que confirmasse que efectuou a transferência. Para eu acrescentar na lista das fotografias especialmente dedicadas que terei de tirar durante o caminho.

Iria informando do número de fotografias vendidas, estas teriam de ser pagas antes da viagem como faz sentido para que o apoio seja real.

Isto sim é uma ideia totalmente idiota... ou será criatividade tuga sob o lema do desenrasca. O que pensam desta ideia para dar mais envolvência e participação desta longa aventura? Alguém quer contribuir? Quem ajuda a vender as 50 fotos?

Como quem não arrisca não petisca fica aqui o meu NIB, para eventuais almas patrocinadoras e apoiantes do projecto:
NIB 0035028600008235900 50 (CGD).

25 dias... num pós momento perturbado

Depois de passado o impulso de uns dias dominado pela revolta de algumas situações injustas. Acho melhor dizer apenas, avante siga para a frente que é assim que temos de fazer caminho....

sexta-feira, 21 de maio de 2010

30 dias

68 dias sem escrever... não foram 68 dias sem pensar ou sem viver esta preparação de aventura por dentro. A vida entra em regime de piloto automático de trabalho, casa e trabalho em casa, trabalho fora de casa, e o tempo foi passando, e todos os dias a contagem decrescente ia-se sucedendo.
Por esta altura da preparação, as coisas não estão fáceis. Nem estão como inicialmente supus que fossem estar... se a crise por falta de receber trabalhos já há muito finalizados continuar por estes lados, poderá pôr em causa e muito a minha ida. Muitas vezes na brincadeira tenho dito que a continuar assim, nem que seja a pão e água, tentarei na mesma levar avante todo este projecto pessoal. A ver se as coisas se resolvem antes da partida... senão aquilo que para alguns parece maluquice, passa ainda a ser mais porque mesmo sem recursos meto o pé no caminho.

A esta altura já deveria estar com uma preparação boa para me fazer ao caminho, mas a minha inércia não me tem ajudado. Por outro lado tenho contado com o apoio de umas amigas fisioterapeutas que têm feito um check-up da minha situação e têm puxado por aquilo que nunca tive ou fiz em condições, flexibilidade e alongamento muscular. Descobri que estou todo empenado e preso, para minha alegria, mas aos poucos isto vai ao sítio, depois que seja o que tiver de ser. Dizem os anglo-saxónicos: "No pain, no game!", haja vontade e espírito de sacrifício e tudo se faz. Saindo dia 20 de Junho de Aveiro, começando a andar dia 22 tem Saint Jean Pied de Port, até dia 24 de Julho serão cerca de 34 dias de marcha, penso que dará tempo para eu começar devagarinho o esforço e ir aumentando gradualmente a partir da 5ª ou 6ª etapa. Inconscientemente ou não a preparação assim vai ser feita no próprio caminho... e há-de correr o melhor possível.

Em breve volto com os desenhos, pretendo agora levar seguido até ao dia da partida. E depois ir colocando sempre qualquer coisa ao longo do caminho, já tenho uma estratégia prática e funcional sem gastar um exagero de dinheiro... amanhã explico...


quarta-feira, 17 de março de 2010

98 dias mais coisa menos coisa

Isto não tem andado fácil para estes lados... mas hoje fui impelido a escrever qualquer coisa como duas linhas... hoje apesar de não ter partido e não ter feito ainda o caminho que se aproxima, todos os dias fazemos caminho.
De casa para o trabalho, no trabalho, do trabalho para casa, em casa, fora de casa, na internet, fora da internet, no campo, na praia, na montanha, no café, na rua, em qualquer lado fazemos caminho... todos os dias damos passos ora para a frente ora para trás, ora para a esquerda, ora para a direita, fazemos caminho.
Por vezes tropeçamos no caminho, e caímos, por vezes vêm nuvens cinzentas e chove, troveja, encharca-nos, trava-nos, arrefece-nos, desmotiva-nos, por vezes senti-mo-nos sós no meio da multidão, por vezes sentimo-nos sós no meio de quem nos é tão próximo, desmotiva-nos, mas mesmo assim fazemos caminho. Sobe-se um monte, uma calçada portuguesa, um degrau do nosso prédio, sobe-se ao alto e contempla-se, olha-se do alto e vemos o caminho feito e cada obstáculo vencido.
Ao chegar cada obstáculo ultrapassado terá sido a experiência que mais terá tornado o nosso caminho único, especial e mais rico... e assim valeu a pena.

domingo, 7 de março de 2010

Amanhã...

Afinal... é amanhã... afinal parto já amanhã...

O primeiro dia... - Sérgio Godinho

A principio é simples, anda-se sozinho
passa-se nas ruas bem devagarinho
está-se bem no silêncio e no borborinho
bebe-se as certezas num copo de vinho
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

Pouco a pouco o passo faz-se vagabundo
dá-se a volta ao medo, dá-se a volta ao mundo
diz-se do passado, que está moribundo
bebe-se o alento num copo sem fundo
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

E é então que amigos nos oferecem leito
entra-se cansado e sai-se refeito
luta-se por tudo o que se leva a peito
bebe-se, come-se e alguém nos diz: bom proveito
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

Depois vêm cansaços e o corpo fraqueja
olha-se para dentro e já pouco sobeja
pede-se o descanso, por curto que seja
apagam-se dúvidas num mar de cerveja
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

Enfim duma escolha faz-se um desafio
enfrenta-se a vida de fio a pavio
navega-se sem mar, sem vela ou navio
bebe-se a coragem até dum copo vazio
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

E entretanto o tempo fez cinza da brasa
e outra maré cheia virá da maré vazia
nasce um novo dia e no braço outra asa
brinda-se aos amores com o vinho da casa
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Amigos #1 | Friends #1

Numa altura em que faltam 110 dias para a minha partida, e em que o tempo para vir partilhar umas palavras não tem sido muito, venho fazer uma breve passagem por aqui, para algo importante.

Senhoras e Senhores, o Presidente da República daqui a breves momentos vai dirigir-se à nação lusa... desculpem, estava no canal errado.

Nestes dias que vão passando esta aventura mal ou bem vem sempre à conversa com alguém, geralmente amigos. Noutros dias é bom ver que os amigos se vão lembrando de nós, e dos nossos projectos. Ocasião disso aconteceu quando há dias num jantar de amigos (amigas neste caso), me foi oferecido um guia do caminho, ainda que apenas correspondente às ultimas 10 etapas realizadas já na região da Galiza. Conta a intenção, conta a lembrança.

Por mais que tudo isto seja algo que pretendo realizar sozinho, muita gente tem contribuído nem que seja com palavras, conselhos ou gestos como o que falei antes. Obrigado a vocês!

E pronto hoje deu-me para isto, curtas palavras, que mais parecem um pequeno discurso em jeito de despedida, mas não... amanhã se não for para terras transmontanas, volto mesmo à carga da forma outrora habitual.

Até lá, espero que andem de boa saúde, já enjoados de mantas e sofás e com vontade de esticar as pernas e respirar ao ar livre...

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Estella

Hoje digamos que estou um pouco aborrecido, hoje que pensava que iria fazer um post com mais um desenho, não encontrei uma fotografia sobre a 5ª etapa que me inspirasse a desenhar, para a 6ª já tenho algo que me inspira... mas isso ficará para amanhã.
Na teoria, esta quinta etapa terá cerca de 22 km entre Puente La Reina e Estella.
Ora muito havia a dizer sobre esta povoação da região de Navarra, mas não tenho tempo, ou paciência. Estou naqueles dias chatos em que só apetece um estágio de sofá até adormecer... Hoje faltam 120 dias mais coisa menos coisa, 4 meses, para a minha partida... por vezes dou por mim a cair na impaciência de ter tanto tempo ainda de espera. Estou farto de olhar para listas de material a levar, estou farto de olhar para sites, blogs, e pensar no que me falta... Eu quero é partir por aquela estrada, por aquele caminho, ainda que neste ano Jacobeo me cheire que vá em regime de excursão...
Será como tiver de ser. Aliás das poucas palavras que troquei com alguém hoje, houve uma frase que me ficou... "hoje em dia já não há propriamente alturas para nada"... até pode ser porque os timings das gerações de hoje já não obedecem às tradições impostas pelos tempos dos nossos pais e de quem veio antes... Mas vá, neste contexto sem filosofar muito, vou agora porque é um ano especial, e no meu timing pessoal independentemente de ano santo ou não... é pura e simplesmente ano de ir...
E desta forma sem ter dito muito, aproveitam-se 2 linhas e 1 informação útil, por hoje vou... amanhã promete, sobretudo para quem não está por dentro das histórias ou dos marcos que se destacam neste caminho francês. Amanhã é dia de partilhar um desses locais míticos do caminho.
Até já.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Medo 3: Problemas físicos

Hoje não estou de muitas palavras, mais uma vez digo que a vontade de partir é maior que nunca, mas existem fases em que não tenho grande paciência para computadores blogs e afins... por vezes existem coisas que nos retiram um pouco a vontade. Mas vá, não será por falta de querer que os projectos que devem andar para a frente irão ficar para trás.
Mas nestes dias, um estojo de primeiros socorros dava jeito, sobretudo para as coisas da alma.
Mas o essencial deste desenho ilustra a minha grande preocupação com os problemas físicos que podem acontecer. Nunca fui um atleta longe disso, a minha preparação física sei que mesmo até lá não irá ser a ideal, e questões como caimbras, dores de costas, insolações são as coisas que mais me preocupam porque é o que normalmente estou mais propício a arranjar.
Não gosto de aquecimentos, não gosto de alongar... gosto de andar o que seria o principal... enfim, resta pôr a farmácia apetrechada para dar resposta a esse tipo de coisas e passo a passo farei o caminho. Hoje fui breve, para alegria de alguns amigos leitores que se queixam por vezes que escrevo demais. Acho que vou ter de fazer um twitter para isto :P.
A ver se nos próximos dias ganho novo balanço e faço um progresso em marcha lenta nas etapas do caminho. Como diz aquela música do kenai e koda... "Digam a todos que aqui vou eu..."

Nota: http://www.youtube.com/watch?v=5FpGkTxjYfI&feature=related

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

134 dias para partir, Patrick's day

Sei que já não aparecia por aqui há uns dias, mas não perdi o rumo, nem me afastei do caminho.
Aliás se há um dia na minha vida que me apetece ir porta fora e largar tudo seria hoje... Se as contas não me atraiçoam a memória, hoje faltarão 134 dias para me fazer ao caminho...
Estava para partilhar mais um daqueles receios que podem assolar a cabeça de um peregrino com alguma experiência mas não tanta quanto isso. No entanto, hoje o Caminho de Santiago entrou-me pela janela do carro.
Saí do trabalho, e para arejar a cabeça e não me enfiar logo em casa fui dar uma volta de carro para os lados de casa dos meus pais, não muito longe da minha diga-se, mas enfim. Nisto, deparo-me com um sujeito cujo o meu primeiro pensamento foi, "Estás a precisar de um banho!". Longos cabelos e barba grisalhos, amarelados, alto, magro, encasacado, chapéu, mochila, sacos, tenda, uma vara bifurcada, um púcaro pendurado na mochila, e vieiras... é pá... vieiras... Santiago... púcaro... tenda... vara...peregrino errante?
Vi-o falar com uns senhores mas seguiu, sentou-se nuns degraus, pareceu-me exausto. Vou e falo? Será, não será? Tanto mau aspecto... preconceitos estúpidos. Liguei a um Amigo, a ver o que ele achava, desde o vai lá e fala e vês se precisa de alguma coisa, ao facto oposto de ouvir "Quando vais para fora e se precisas de ajuda ou de alguma coisa, pedes, não é?" Era um facto que a pessoa não aparentava andar a pedir ajuda, apesar do seu péssimo aspecto e ar estafado. Preconceito estúpido vencido, e fui lá. Abordei com um "Hello, do you need any help?", ao qual obtive um "No thanks, I'm ok.", fui insistentemente perguntando se não precisava mesmo de ajuda, e só me respondia que estava ok. Perguntei-lhe de onde vinha, a resposta: Ireland!
Passado um pouco, disse-lhe que ao ver vieiras na mochila pensei logo que seria peregrino de Santiago. Contei-lhe da minha intenção de fazer o caminho francês e ele disse que já o tinha feito, mas que aquilo já não era bem a mesma coisa, porque já estava a tornar-se um pouco um hábito quase turístico. Na percepção dele, disse que cerca de umas 200 pessoas partem diariamente para fazer o Caminho. E talvez estivesse a falar daqueles turistas que fazem o caminho sem mochila às costas, usando os serviços de transporte de mochilas.

Desta vez a aventura dele começara em Fátima e o destino seria Santiago.
Ainda no início da conversa disse-me que uma das dificuldades que estava a sentir é que os portugueses não falam muito inglês, nem mesmo os estudantes... Achei estranho ele referir que as gerações mais novas não falem... mas deve ter sido o que lhe apareceu à frente.
Estava muito vermelho, e arfava um pouco, perguntei mais uma vez se estava bem e não precisava de nada. Ele disse que estava com grupe, queria dizer gripe, disse que lhe arranjava medicamentos para se tratar os quais recusou, porque habitualmente não tomava nada. Por piada perguntei-lhe se precisava de whisky irlandês para curar a gripe, mas não, era homem só de tinto... Ao menos tinha noção daquilo que faz melhor.
E como diz o ditado "A pão e vinho se faz o caminho.", facto que ele imediatamente concordou, até comentámos sobre a fonte que existe no caminho, a da Abadia de Hirrache, que tem torneiras onde sai vinho gratuitamente.
Perguntei agora com um pouco mais de confiança se precisava de alguma coisa, ele falou em pão. E fui comprar pão. Só tinha 2,25 € no bolso, e sinceramente talvez todo o dinheiro que tenho, até que um dinheiro que anda por aí há muito tempo perdido me entre na conta, que era a conta onde já devia estar. Mas vá ainda assim, comprei 10 pães, custou um euro. Fui ao supermercado com 1,25€ procurar vinho tinto. O mais barato que havia, custava 1,25 € (mais uma daquelas coincidências), daquele embalado naqueles pacotes tipo de leite (os ditos tetra-pack), e chamava-se A Suadela. Uma suadela diz que faz bem à gripe, pelo menos, os meus amigos, eles, dizem que sim.
Fui-lhe levar a merenda a qual foi expressivamente agradecida, haviam de ter visto o sorriso dos olhos quando lhe mostrei o litro de vinho.
No fim perguntei-lhe o nome, respondeu Patrick, como o patrono da Irlanda. Mais uma coincidência, porque quem já me conhece, sabe que o meu destino, e de um grupo de amigos, que gosta de peregrinar será na ultima semana de Julho de 2011 rumar à Irlanda ao Monte de Saint Patrick, mais um local de peregrinação digno de viver.
Posto isto perguntou-me o meu nome, ao que respondi e ele comentou:"Como os cães que levam vinho ao pescoço certo?". Certo.
Pancadas calorosas nas costas e um bom caminho. E eu fiz-me ao meu, sem um tusto mas feliz.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Medo 2: O calor da meseta | Fear 2: The plains heat


Muito rapidamente porque estou sem tempo, quando puder e se for pertinente, actualizarei isto com mais conteúdo.
Este medo, ainda que não o seja, por certo será uma dificuldade, já que eu e os protectores solares não somos grandes amigos... será agora que nos tornaremos como unha e carne, digo eu com os nervos... A pele a tostar, a respiração ofegante, a sede, as insolações que eu sou perito a arranjar, são tudo coisas que de alguma forma me deixam de sobreaviso depois de leituras de blogs e de conversas com amigos, ao ler e ouvir falar de temperaturas acima dos 40s no verão na travessia da zona da meseta.
Ora, sendo assim, nada como deitar cedo e cedo erguer para ao calor sobreviver... estratégias por certo não hão-de faltar, podem faltar é as tão abençoadas sombras...
Medo? ... vou em busca de um leão... caçarei o maior... não tenho medo... hão-de ser uns lindos dias... no bom sentido.
Escrevi a correr mas vá, soube-me bem mais este desabafo.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

SUD EXPRESS...quero partir... | SUD EXPRESS... i want to leave...

Ainda não é hoje que continua a saga dos "medos". Hoje estou com tanta vontade de partir que me enfiei no SUD-EXPRESS que me vai levar lá... Ao ponto de partida...
Nestas voltas de partir e não partir, vem-me à memória sempre uma música do Fausto, que me dá sempre prazer trautear ainda que com palavras trocadas... a memória por vezes falha, e a música reza assim:

"O barco vai de saída
Adeus ó cais de Alfama
Se agora vou de partida
Levo-te comigo ó cana verde
Lembra-te de mim ó meu amor
Lembra-te de mim nesta aventura
Pra lá da loucura
Pra lá do equador"

É mais a norte do equador, mas confirmo que é para além da loucura, e mais que isso é roçar a felicidade plena.
Parti... por hoje.

domingo, 24 de janeiro de 2010

149 dias para partir | 149 days to go


149 dias, se as contas não me atraiçoam e estou de partida... sei que já não venho aqui há uns 2 dias, mas este fim-de-semana deu trabalho com actividades do meu outro projecto dos Trilhos da Terra. Estou cansado, a ansiedade mistura-se com a vontade de partir e tal interfere com o sono. Anteontem sonhei que as solas das botas se tinham descolado durante o caminho e que à conta disso tinha comprometido o progresso do resto que faltaria, até acordei desalentado. Sei que é uma idiotice, melhor, uma criancice, mas a vontade é tão grande que tem afectado... sou um toni como diz a minha irmã... isto há-de serenar, espero eu.

Amanhã se o tempo permitir, continuo com a saga dos "medos"...

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Medo 1: A chuva nos Pirenéus | Fear 1: Rain at the Pirinees


Nos próximos dias os desenhos vão sendo pequenas referências às coisas que me vão preocupando a cabeça.

Hoje, a preocupação que me assola, é ter de abordar a subida de 22 km dos Pirenéus com chuva, seguindo a Rota de Napoleão, que segundo li, aquilo enlameia de tal maneira que a dificuldade, que é enorme, triplica.

Ora chuva, não tenho medo de andar à chuva, até porque duas das minhas experiências de peregrinação (Fátima e Finisterra) foram feitas debaixo de muita chuva. Então a de Finisterra dois dias e meio de chuva intensa e frio em pleno verão... por vezes até dizíamos que ter vindo a Finisterra no inverno não tinha grande piada, que para a próxima teríamos de ir no verão.
Na experiência de Fátima, lembro de um dia 25 de Abril com chuva intensa, e passar na ponte da Figueira da Foz com as botas (aquelas malditas botas) a fazerem splosh splosh, parecendo dois aquários por dentro. O pior em nessa etapa de Fátima, em que ficámos em Marinhas das Ondas, foi o facto de durante o meu banho de água quente, esta ter acabado de repente e vir água gelada, os meus tendões contorceram-se todos e não foram ao sítio nem com massagem, e no dia seguinte fiz 64 km em cima de um pé/perna todo avariado, os últimos 20 km uma tortura. Coxeei durante dois meses.

Como costumo dizer, andar à chuva só custa até estar encharcado depois disso é sempre andar, a dificuldade só acresce se o vento que aparecer nos fizer arrefecer muito, fora isso a chuva é suportável, e por vezes inspiradora. Nada em como parar num café, e num dia assim, pedir um bagaço ou água ardente, melhor que um redbull que nunca experimentei, porque dá asas e aquece o espírito. Ora o chopito-blanco, leva-me a um dos episódios mais caricatos do caminho de Finisterra quando ao entrar num tasco familiar, daqueles gerido por pai, mãe e filha, pedimos informações para o dia seguinte e uns copos de água ardente, estava tão ardente que uma o homem deve ter-se escaldado e deixou-a cair ao chão. Era da boa, caseirinha e forte. Mas ao pedirmos isto o homem da tasca, vira-se para nós e diz: "Vosotros peregrinos?!". Foi de rir. Mas o hilariante não se ficou por aqui, ao pedirmos a direcção tomar para o dia seguinte, o senhor dizia que seria fácil, uma subida sem muito custo, por trás a esposa dizia, "Fácil o carajo!", ou lá o que era, esta divergência deixou-nos intrigados. No dia seguinte verificámos que não era fácil, mas também não era assim tão difícil.

Na vertente enóloga do caminho há um ditado: «A pão e vinho se faz o caminho.», se os nossos amigos tão presentes, eles, dizem deverá ser verdade. E é um facto, sem abusos, a dose certa de vinho dá aquele bem estar que por vezes é preciso para esquecer as maleitas que se vão somando de dia para dia de caminho. Ora comecei em chuva, acabei em vinho. O que tem a ver um com o outro. Ambos metem água! É como eu nestes dias de inspiração fraca.

Mas a moral de hoje é que por mais dificuldades que nos possam surgir, as coisas terão sempre a sua maneira de serem ultrapassadas. Mal ou bem, vai ou racha, pelo menos é como eles dizem.

E esta hein! (fica a homenagem a um Sr. que marcou muitas gerações - Fernando Pessa)

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Puente la Reina

A quarta etapa terminará em princípio na povoação de Puente la Reina.
É uma vila ainda na Província de Navarra, situada a 20 km de Pamploma, á cota de 346 metros. Ali está-se sob influência do clima Mediterrânico-Continental. Nela habitam 2300 habitantes.
Lá o peregrino pode contar com multibanco e posto de turismo.

É aqui que se junta o caminho aragonês com o caminho francês. O desenvolvimento da vida ao largo dos anos desenvolveu-se em torno do Caminho. Daí as disposição das suas ruas serem paralelas a Calle Mayor, com travessas estreitas que as ligam. Puente la Reina tem um grande ambiente medieval graças aos seus monumentos e ruas.

Esta povoação do vale de Olzarbe deve o seu nome à ponte construída por ordem da Rainha Dona Mayor, esposa de Sancho III, O Grande de Navarra durante o século XI, com a intenção de facilitar a travessia do rio Arga aos peregrinos.

Acho que pelo menos a volta habitual ao final do dia terá o seu encanto... mais um recanto a conhecer.

Mais um pensamento que me vai assolando a cabeça é esperar conseguir ir chegando aos locais em condições para conhecer as povoações... mas isso daqui a pouco mais de 5 meses saberemos.

On your marks, get set, go...! Bolas ainda não é agora.

Ontem perdi -me... | I got lost yesterday...

Neste post não há desenho a acompanhar, mais tarde farei um que encaixe aqui.

Ontem! Ontem perdi-me a ler o diário de um peregrino português que fez o caminho francês em 2007, queria ter uma ideia aproximada do esforço de efectuar o caminho... ao que me deparei com um cenário de dificuldades extremas, sobretudo físicas.
Fiquei alertado para problemas de tendões, musculares, desidratação, quebras de tensão, insolação, queimaduras solares, problemas digestivos, etc. Ok, não vou poder facilitar. Na farmácia tenho de me prevenir, com sais e açucare, comprimidos com magnésio para os tendões, voltaren rapid, algum comprimido que forre o estômago da agressividade que os anti-inflamatórios poderão ter, talvez uma embalagem de reumon-gel, vaselina para untar bem os pés antes e depois de caminhar, compeeds, agulha e linha, betadine pequeno, ben-u-ron, imodium (ou muita coca-cola) e o fundamental protector-solar.

Sobretudo tenho de ter a consciência que tenho de beber muita água e comer bem, muito bem. A pessoa que fez o caminho em 12 dias tinha perdido 5 kilos por descuido e algum facilitismo, perder esse peso eu até agradecia mas passar mal por isso, acho que dispenso. Acho que uma pessoa fica absorvida com o chegar e com o resto da vivência de tal forma que por vezes se esquece de comer e beber água aos litros.

E agora também me ponho a pensar se ele apanhou temperaturas abrasadoras em Setembro, pergunto o que me poderá esperar em Julho? Mas com tanta alteração climática pode ser que no sentido perfeito para caminhar apanhasse uns dias frescos e amenos... como eles costumam dizer... "Vai sonhando!"

Acho que tenho de me preparar bem fisicamente nos próximos 5 meses, dar mais uso ao ginásio e dar regularidade a caminhadas. E fazer vários testes de mochila às costas, e fazer a mochila várias vezes até lhe optimizar o peso da carga... ou então como costumo dizer... simplesmente vou e pronto...

Após ter lido o diário dos seus 31 dias até Santiago, algumas questões ficaram ainda por esclarecer na minha cabeça. Sobretudo a questão da segurança, claro que não me passa ser roubado em pleno albergue, mas já ouvi histórias, que pelo menos deixam a pulga atrás da orelha. E sim fez em 31 dias, e várias vezes efectuou etapas de 40 km, eu só tenho 28 a 29 dias.,
Já pondero em arranjar mais uns 2 dias de folgas ou férias que possa juntar a este role de dias seguidos, e em vez de partir dia 24 partiria dia 22 de Junho, para que dia 24 estivesse verdadeiramente com os pés no Caminho. Isto caso exista comboio do sud-express nesse dia.

Apreendi que o convívio será ponto assente de ser vivido como se fosse sempre o último momento, porque todos os dias vamos perdendo alguém que deixamos para trás ou parte para a nossa frente. Sempre que esticamos etapas como foi descrito entramos num universo paralelo, num outro grupo de pessoas que partiu noutra altura diferente da nossa. Sempre que fazemos isso é como entrar numa nova realidade, onde pontualmente alguém estica o passo também e nos trás memórias dessa outra realidade paralela.

Penso que ao longo destes dias irei divagar ainda muito mais acerca do vou lendo, das experiências que vou absorvendo, não querendo que influenciem a minha, porque por certo quando a estiver a viver não vou ter a mínima lembrança de todos os detalhes lidos... e ainda bem... para que aquele caminho possa ser o meu.

É justo dizer, embora não conheça, obrigado Rui pela partilha do teu caminho. Umas noções a mais de como poderá ser a experiência dão sempre jeito e mais algum alento.

Para terminar ficou-me na memória uma frase que talvez seja o melhor conselho que se pode dar alguém com esta ambição:

"Camina como un viejo para llegares joven a Santiago"

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Alto del Perdon

Como tinha falado ontem esta quarta etapa entre Pamplona e Ponte la Reina, varia em altitude entre os 446 de Pamplona, os 734 do Alto del Perdon, os 345 de Ponte la Reina. Rezam as crónicas que quando o calor aperta a subida até ao alto do perdão é um pouco penosa, mas não há nada como comprovar.
Neste alto da serra, existe um monumento de estátuas em metal que representam os diversos tipos de peregrinos, e nessa estátua está escrito o seguinte:

"Donde se cruza
El Camino del Viento
Con el de las Estrellas"

São estes pequenos pormenores espalhados, entre sinais e expressões ao longo do caminho que ajudam a torná-lo diferente. São estes pequenos detalhes que fazem que o caminho tenha uma vida própria para além das vidas que o percorrem.

São as pequenas coisas que me inspiram, como eles costumam dizer: "São as pequenas coisas que fazem a diferença."

domingo, 17 de janeiro de 2010

Santa Maria de Eunate


Num lugar isolado a uns 2 km da povoação de Obanos, desviando-se um pouco do caminho que conduz directamente a Puente la Reina, durante aquela que será a quarta etapa (teoricamente), encontramos este lugar que é considerado com um dos mais singulares e emblemáticos de todo o Caminho - Santa Maria de Eunate.

Esta igreja tem uma lenda que achei curiosa e interessante e que numa partilha de cultura popular, divido convosco.

A lenda de Eunate-Olcoz

Narrado por um mestre pedreiro

"Quando eu fui incumbido de esculpir a entrada da igreja de Santa Maria de Eunate senti-me lisonjeado. Decidi trancar-me longe de tudo a ver se me vinha inspiração divina para que pudesse criar uma obra prima, mas quando regressei reparei que um pedreiro gigante havia completado o trabalho que me tinha sido encomendado.

Indignado, fui visitar o abade, que não quis ouvir as minhas explicações e fez questão de tornar claro que a minha ausência foi considerada uma falta de respeito para com os monges e ele próprio. Como castigo, ele ordenou-me que esculpisse um trabalho idêntico, que eu teria de fazer no mesmo tempo que o gigante demorou: três dias, nem mais nem menos.

Em desespero, dada a importância da tarefa, embrenhei-me na floresta com a firme intenção de invocar o diabo. Contudo, a bruxa de Laminak teve pena de mim e revelou-me um segredo mágico que resolveria o meu problema.

Seguindo o seu conselho, eu tentei arranjar uma pedra de lua que uma grande cobra segurava na sua boca. Teria de deitar essa pedra para o leito do rio durante a noite de São João (que coincidiria por aquela zona com o Solstício de Verão).

Com a luz da lua a reflectir naquela pedra, eu assisti ao milagre. Mas algo correu mal, a fachada do edifício estava de trás para a frente, como uma imagem reflectida no espelho. As pessoas estavam espantadas e o gigante furioso, deu um pontapé tão forte na igreja que esta foi parar numa povoação vizinha.

Aos que de vós forem curiosos devem saber que podem admirar o meu trabalho na igreja de Olcoz, com a mesma fachada mais ao contrário da Igreja de Santa Maria de Eunate."

Não sei que tipo de moral se poderia tirar desta lenda, mas aplicando-a a esta aventura, há coisas que não vale muito a pena nos pormos a pensar, mais vale dedicar-mo-nos logo a fazê-las, porque por vezes ao pensarmos demais perdemos a nossa oportunidade ou desistimos antes de as fazer.

Porém esta etapa não terá terminado sem um momento alto... ficará para amanhã!

Família | Family

Nota: Ontem devia ter postado, mas foi um dia atribulado e acabei por não conseguir. Este post não estava nos planos de aparecer aqui, mas como levei o caderno comigo para este almoço de família, e se hoje em dia tiver uma oportunidade para esboçar mais umas tentativas de desenhos, assim o farei.

16 de Janeiro de 2010, a minha mãe comemorou mais um aniversário, e os meus irmãos tiveram a ideia de lhe proporcionar um almoço com vista para coisas que ela tanto gosta de contemplar: o mar e gaivotas.

Devo dizer que me soube bem ir almoçar com a família a um local diferente fora dos locais de rotina habitual. Faz bem sair e apanhar outros ares, refrescam-se as ideias e instala-se o bem-estar.
Não me vou alongar muito sobre a importância que a família tem na vida de uma pessoa, porque como toda a gente sabe, tem e muita. Desde a educação, valores, alegria, conhecimento, convívio, é ela que mal ou bem nos prepara para vida, talvez não na totalidade mas pelo menos na sua base e essência.

Entre muitas pessoas que tenho importantes na vida, sinto que seria especial para mim ter os meus pais e irmãos à espera naquela praça com pedra por todo lado, mas onde nunca se sente o frio, porque o calor das emoções de quem peregrina enchem e aquecem aquela praça, diria que diariamente.

Este dia que passou foi um bom dia, para renovar o espírito que por mais que se envelheça, e a idade avança, é no aproveitar o que temos à nossa volta que os dias se enchem de significado, e é nestes dias que damos valor em estarmos aqui, vivos com um mundo de oportunidades, de escolhas e caminhos a percorrer. Uma vida, duas vidas, muitas vidas, caminhos cruzados, interligados nos laços que se estabelecem sem querer, a partir do dia em que soltamos o nosso primeiro grito, ou o nosso primeiro choro. Foi um bom dia comecei a festejar com a família e acabei a festejar a vida com amigos.

Vida!