sexta-feira, 25 de junho de 2010

16º Sinal | A energia de Santa Maria de Eunate

Hoje a segunda metade do dia foi de matar... Aquilo que estava à espera que acontecesse chegou em força - o calor. Falo de um forno que mal bebemos água instantaneamente a boca se seca. Para ir visitar esta ermida tive de fazer um desvio de mais de dois km o que agravou o andar cada vez mais pelo calor dentro. Mas chegado ao local tive um dos momentos bonitos até agora... Um encontro com uma peregrina alemã de nome Manuela. Tive uma boa e bonita conversa com ela sobre as razões de cada um fazer o caminho. Ela estava para fazer isto com o pai que faleceu o ano passado, e ainda no processo de digestão do sucedido veio até ao caminho ligar-se de novo ao mundo, como que fazendo uma iniciação. Convenceu-me a fazer o ritual de dar sete voltas descalço à volta da capela por uma calçada feita de pedras colocadas de forma a ter uma superfície texturada e não lisa o que apesar do desconforto quando não acertava nas pedras melhores para colocar o pé, revelou-se ser uma boa maneira de massajar os pés. Um bom momento para pensar que aquilo seria um bom exercício para pensar na vida, porque a vida é assim mesmo, escolhemos caminho e onde pomos os pés, mas mesmo assim tropeçamos e há aqueles momentos que não controlamos e que nos aparecem as pedras mais afiadas e magoam. Eunate tem lição de vida. Os últimos seis quilómetros e meio até ao albergue santiago foram tortura falta de água e calor intenso. Bem almoçado apenas às três da tarde, Banho tomado e sesta feita foi altura do banho de piscina. Tenho a articulação de dobrar o pé esquerdo em mau estado e vou ter de usar halibut para tentar travar o outro tormento da assadura nas partes interessantes. Amanhã vamos ver como acordo. às cinco temos de estar andar por causa do calor. Testei umas sapatilhas novas da Decathlon e não correu mal, acho que fiz boa compra para os setecentos e tal que faltam. A ver... Mal ou bem cheguei. Quatro de trinta e uma já estão. Passo a passo e nós vamos... Dizem-me os espanhóis que me tratam como português. Mais um dia cheio. Peçam para o calor ir embora... Dava jeito. De terras de navarra... Até quase ao fim do mundo. Espero que tenham podido semear um pouco mais de paz por aí hoje.

15º Sinal | No alto do perdão não sentei nem chorei... Engoli em seco




Aqui onde se cruza o caminho do vento com o das estrelas sabendo que como todo os homens falham, eu não sou diferente e por tal, por todas as minhas a falhas convosco e comigo mesmo... Desculpem. E assim se faz ingenuamente um reconhecido pedido de desculpa. E agora sim sinto-me em casa.


14º Sinal | A caminho do alto do perdão



Hoje estou no caminho da etapa talvez com mais significado para mim: a da subida imponente ao alto do perdão. É caminho de vida é de redenção... Hoje é dia de reconhecer as faltas e falhas... Hoje é dia de pedir desculpa e de perdoar o que houver a ser perdoado. Hoje é dia... Paz para todos. Amem, respeitem, entreguem, arrisquem, perdoem, abram-se ao mundo, quebrem as barreiras do preconceito, sobretudo amem. Como dizia o Raul Solnado, façam o favor de ser felizes. Sem lições de moral e de coração aberto. Bernardo



PS: em jeito de favores em cadeia, façam as pazes com alguém que precisem de o fazer e passem a palavra... Talvez dê para um pouco mais de paz no nosso universo.

13º Sinal | Hoje uma hora mais tarde, aqui vou eu...

quinta-feira, 24 de junho de 2010

12º Sinal | Às portas da praça de toiros de Pamplona, olé!

O dia para mim chega ao fim. Foi bonito pela paisagem e pela cidade, intenso por fazer e partir sozinho para uma etapa onde finalmente pude estar comigo mesmo o que me deu para um ataque de choro no lusco fusco do nascer do sol. Estava a ouvir a musica que coloquei num dos posts anteriores quando me bateu fundo estar a concretizar um sonho, mas que foi muito sofrido para chegar aqui ao longo de quase um ano. Só pensava que raio de vida foi vivida e me conduziu até aqui, era preciso passar por tudo isso? Como sempre ou quase sempre, se calhar era. Um sonho... em vias de concretizar mas que falta ainda tanto. Ponho-me a projectar os dias futuros e perco a noção do que falta... Dia após dia e ponto final. O calor começou a dar sinais de abrasador no pior sentido da palavra, amanhã estou em marcha a partir das seis, queria cinco mas um português que concluiu o caminho de ida e volta aqui, disse que não valia a pena. Espero que esteja correcto.
Pamplona é cidade a voltar. Grande movimento nas ruas multicoloridas, catedral de respeito e uma praça de toiros que pouco mais deu para ver do que as portas. Tenho continuado a conhecer gente entendida como tal... Sempre a acrescentar nacionalidades... Lição de hoje, tanto no caminho como na vida temos de estar preparados para tudo. Ps: hoje fui nomeado cozinheiro, fazendo o almoço e jantar do clã espanhol com quem tanto tenho compartilhado o meu tempo. E bebi o primeiro vinho da rioja do caminho com o português Mário de Espinho, o tal que terminou aqui. O vinho não é mau...
Como diz um amigo meu, e tudo começou à mesa com pão e vinho.
Mais havia a dizer mas vai ter de ficar para depois do regresso, uma vez regressado a casa poderei fazer uma versão mais detalhada de tudo. Assim espero que este pouquinho vá servindo para dar uma pequena noção do que é isto tudo. Apesar de não ter aprofundado nada até agora, acreditem... Isto é mais que andar de um sitio para o outro ... Toda a vivência interior todos os "questionamentos" nos fazem mexer, despertar o que estava adormecido, inquietar o que não se sabe, e gerir o imprevisto de cada passo. A vida é bela (e dura) de mochila às costas.

11º Sinal | Ando à procura da minha sapatilha mas já cheguei




Dia que corria às mil maravilhas até que a chegar a Pamplona, o Amauri um rapaz francês que apanhei pelo caminho me pergunta pela minha segunda sapatilha que vinha presa na mochila. So me apeteceu dizer asneiras, nada disso... Disse mesmo. Fiz cinco quilómetros para trás até a uma ponte ao pé de um albergue em Vilalba que tinha sido aí que um peregrino a tinha visto. Perguntei no albergue e a senhora disse que o frade realmente também tinha visto uma na ponte. Mas agora nem sinal dela. Voltei a Pamplona na companhia do Benjamin. Tenho de ver se desenrasco aqui qualquer coisa. Sem muitas palavras, mais digo que Pamplona é imensamente bonita e este albergue é brutalmente bom, diria de cinco estrelas. A vida de mochila às costas é bela...

10º Sinal | Banda Sonora da manhã

A 3 Km de Pamplona, esta é a energia que anda por aqui...

9º Sinal | Deitar cedo e cedo erguer espero que dê saúde

Hoje pelo que tem custado as pontas finais de cada etapa, levantei-me às quatro e quinze para sair às cinco. Fui o primeiro a sair mas a habilitar-me a perder-me no escuro porque podemos deixar escapar uma marca de sinalização. Vinte minutos de caminho e até agora tudo vai bem neste teste de levar as sandálias calçadas. O escuro acaba por ser nosso amigo tira-nos o impacto visual das subidas. Desde o pronto amanhecer... Em direcção a Pamplona não tarda nasce o sol.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

8º Sinal | Menos um...

A etapa de 22 km até Zubiri o que tem de pior são as descidas, com pedras e afins, boa para dar cabo dos joelhos. Mas é uma etapa bastante acessível, teria corrido na perfeição se as sapatilhas nas descidas não me massacrassem os dedos grandes dos pés. Era uma e meia já estava no albergue com banho e roupa lavada e merenda comida. Resta tempo de descanço e de escrita. Amanhã é outro dia. Tem acontecido muita coisa que aos poucos vou anotando num caderno. Tenho conhecido gente de todo tipo mas uns com vidas especiais. É o caso do Yves, canadiano do Quebec, que se encontra a fazer o caminho em jeito de agradecimento por as pernas ainda funcionarem depois de ter tido um acidente e por quatro milimetros não teve uma lesão que o deixava paralisado. Faltam entre vinte e nove a trinta etapas. Tem sido importante saber que tanta gente me vai dando forca neste caminho... Até amanha... Dia de ir até Pamplona.

7º Sinal | A caminho de Zubiri


Levantar às seis, começa a romaria, seis e meia pé ao caminho. Fresco o tempo, bom para andar. Um início atribulado devido a má sinalização, mas tudo resolvido. Tudo é verde por estes lados... Um pé outro pé, e cá vamos andando. Daqui a uns dias acho que perco a noção do tempo... Faltam 30 etapas, pensar nisso dá-me vontade de sorrir.

terça-feira, 22 de junho de 2010

6º Sinal | Cheguei Cheguei a Roncesvalles, cansado.

Cansado é uma palavra gentil. Fiz o último quarto da etapa totalmente sozinho, com a excepção dos últimos mil metros que vim acompanhado por uma senhora suiça. As descidas do último terço são uma dor de cabeca para os joelhos, pés e pernas. Uma bolha, e uma sensação de que o pior esta feito embora não seja verdade, faltam ainda quase oitocentos quilómetros e tudo é possível o melhor e o pior. Fui, sou privilegiado e abençoado mesmo em dificuldades tudo o que pude ver me fez sentir o quão pequenos somos as paisagens são de pasmar. Existem coisas que só vendo e sentindo, mas como eles dizem... É como tudo na vida. Mentira, isto é especial demais para ser como tudo na vida. As pessoas desdobram-se em nacionalidades diferentes já devo ter passado as dez. É chamado contacto com o mundo... Quase inteiro. Amanhã é outro dia...

5º Sinal | por entre as nuvens

Faltam as palavras para poder descrever a escalada dos montes dos pirinéus dura muito dura, mas a beleza da paisagem é infinitamente superior. A etapa vai a meio. Sou o único português a sair daqui neste dia. Partilho caminho com espanhóis, franceses e italianos e um inglês.

4º Sinal | Digam a todos que aqui vou eu

Seis e meia da manhã e aqui vou eu... Pirineus até já. Hoje vai ser difícil. Do dia de ontem e do acolhimento tenho a dizer "milescaire" Jeanine. Como quem diz em basco muito obrigado. Oito a dez horas no mont é o que me espera. Até já.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

3º Sinal | Ainda em viagem...




Afinal já cheguei!
Bayonne. Ponto de espera e de descobertas. Ele anda aí... Esta cidade é bonita e agradável com água por todo o lado. Passeei pelo centro e dei com a catedral, eram oito e meia da manhã e assisti à minha primeira missa do caminho e a primeira em algum tempo. Quase doze padres para outros tantos participantes. Mas foi simples e bonita apesar de tamanho número de padres.
Circulei um pouco mais pela cidade e parei para merendar numa praça onde me saltaram à vista duas coisas no chão. Uma pomba branca e um coração que surgiu do acaso no chão do passeio... Em paz e com o coração aberto, lembrei-me eu que tal faz parte do caminho.
Na viagem para Saint Jean fiquei pasmado com as montanhas de amanhã. E durante a viagem travei os meus primeiros conhecimentos. Chegado a Saint Jean, a vila é maior do que parece, mas é pitorescamente medieval. Dar com o posto do peregrino e arranjar albergue, foi um instante. Bem tratado, bem recebido. Portugal ganhou e até ver tudo vai bem em terras de França. Amanha é o dia... Tinha muitos detalhes mais a contar, mas esses ficam para a volta. Até já.

2º Sinal | Sai de Coimbra há doze horas...


Saí de Coimbra há doze horas, foi uma longa noite, parece que para estes lados o verão ainda não chegou, cinzento e frio. A primeira luz do sol traz-me o meu primeiro céu em terras francesas. Hendaye. Primeiras palavras em francês de hoje, a compreensão foi pacifica. Bilhetes comprados. Total da viagem Aveiro ao destino final: 80 euros. Mais uma troca de comboio até Bayonne e depois autocarro às onze e quarenta e sete que demora hora e vinte até saint-jean-pied-de-port. Com sorte vejo a segunda parte do jogo de portugal. Até agora tudo como previsto. Até ja.

domingo, 20 de junho de 2010

1º Sinal | Não vou sozinho, porque Aquele senhor anda ai!


Ainda agora parti, e no comboio ja sinto que estando atento aos sinais sei que vou acompanhado por algo maior. Vejam o nome do revisor. Até ja!

É hoje... dia zero

Estas duas semanas intensas de trabalho e preparativos chegaram ao fim, e vem aquela sensação surreal de que hoje dou o primeiro passo de uma viagem que só terminará daqui a uns trinta e tal dias, 25 de Julho data de regresso.
Estou ansioso por me apanhar com o pé nos Pirenéus e sentir o impacto daquela imensidão que nos diz, "Agora não há como voltar atrás!".
Foram seis meses de muitas vivências, de fase difícil, de muitos testes, experiências e tentativas de ser feliz... falta o maior teste, esta aventura... ainda não está feita mas ali não preciso de tentar nada, porque ali, é com simplicidade que é fácil sermos felizes... chegamos lá vivemos, e somos felizes na nossa existência por tudo o que temos ou que deixámos para trás.
Obrigado a todos os que me encorajam, incentivam e estão comigo, alguns mesmo não me conhecendo e fazendo votos de confiança em mim que só prova que o mundo tem boas pessoas espalhadas um pouco por aí... vou fazer por não deixar ninguém mal, mas sobretudo não me defraudar a mim mesmo.
Vou tentar enviar uma mensagem que chegue aqui diariamente para sossegar aqueles que ficam inquietos com esta aventura a solo, mas talvez hajam dias em que me remeta ao silêncio... a ver... cada dia é um novo dia, cada passo, cada vista, cada pessoa uma surpresa, por isso é impossível dizer que tenha um plano para o que aí vem... e como é bom viver assim...

Parto com uma música do Sérgio Godinho no ouvido que quem me conhece sabe que gosto de cantar em alturas de despedida:

"Parto sem dor, Sérgio Godinho

E agora eu vou-me embora
e embora a dor
não queira ir já embora
agora eu vou-me embora
e parto sem dor

E parto dentro de momentos
apesar de haver momentos
em que dentro a dor
não parte sem dor"

Até à volta...


segunda-feira, 7 de junho de 2010

14 dias... e uma história do meu caminho de vida


Ando à dias para partilhar esta história simples mas muito especial... só hoje consegui parar um pouco para o fazer minimamente como deve ser, porque por mais palavras que escreva dificilmente conseguirei transmitir isto com a intensidade com que este simples acontecimento me bateu cá dentro...
Era sexta-feira e andava nas voltas do trabalho de campo pela zona de Trás-os-Montes, nas curvas e contra-curvas da Nacional 15, o calor apertava, ora o calor transmontano não fosse fustigante e intenso, vidros do carro abertos e serpenteando suavemente seguia caminho. Eis que de repente tive de abrandar e parar o carro para que um rebanho com umas 30 ovelhas pudessem passar... como seria de esperar no fim do rebanho vem sempre um pastor.
Aproximou-se devagar da janela do meu carro e com tamanha gentileza na abordagem, que as primeiras palavras foram logo de agradecimento por ter esperado e não ter mal tratado nenhuma das suas ovelhas, seguido então de um afável bom dia. No seguimento destas palavras, rapidamente lhe disse que quem anda nestas estradas tem de contar com estas situações e ter paciência, e claro está que não havia qualquer problema. O senhor tornou a agradecer, e mais uma vez me agradeceu, mas não sem antes me perguntar onde ia, com um típico "Para onde vai senhor?", respondi-lhe que ia em direcção a Vila Real, e quando me preparava para retomar marcha, repetiu várias vezes o agradecimento, e que o Senhor me guiasse, acompanhasse e ajudasse. Boa viagem meu senhor, boa viagem. Retribuí o desejo de boa viagem e bom dia e segui caminho.
Durante os instantes de percorrer uns cinquenta metros, pensei que devia ter guardado algo mais daquele encontro -uma fotografia. No mesmo momento encostei o carro no primeiro sítio com a berma mais larga, peguei na máquina e segui a correr atrás do pastor.
Quando cheguei ao pé dele meio esbaforido, perguntou-me: "Então menino que viestes fazer?". Pedi-lhe para lhe tirar uns retratos, mas ele envergonhadamente dizia: "Mas ó senhor eu estou tão mal arranjado.". Fiz-lhe ver que isso não seria problema algum, que cada um é como é e pronto. Vencido este obstáculo, comecei a fotografar e devagarinho quando procurava novos ângulos apercebia-me que a postura do senhor, era hirta como antigamente se posava para um retrato e que à medida que me ia movimentando em seu redor ele ia acompanhando a máquina ficando sempre de frente para mim.
No meio dessa situação, perguntei-lhe o nome, ao que me respondeu: "Adelino, senhor!", estendi-lhe a mão para um forte bacalhau e apresentei-me: "Eu sou o Bernardo.". Dado mais este passo no conhecimento um do outro, continuei a fotografar e ainda lhe perguntei: "Senhor Adelino, há quanto tempo é pastor?", respondeu, "Oh senhor, desde os 8 anos!". De imediato, tinha de vir a pergunta seguinte, que idade teria... 79 anos!
Era pastor há 71 anos, dizia ele porque naquele meio onde vivia, era o pastoreio que lhe conseguia dar algum sustento.Fiquei a pensar nisto, 71 anos de vida a trabalhar sempre para sobreviver com a simplicidade a que dificilmente hoje qualquer ser humano de vila ou cidade se habituaria a viver. 71 anos de trabalho duro pelo monte, com frio, calor, chuva, neve... uma vida a lutar... uma vida cheia de valor, que o próprio nem se apercebe...
Depois de tirar meia dúzia de fotografias, mostrei-lhe as imagens e nisto de súbito ele pega na minha mão e dá-lhe um beijo e diz: "O senhor está a ser tão meu amigo! Venha-me ver mais vezes, vem?"
Fiquei atordoado com a força daquele pedido de uma pessoa que devia andar sedento de um pouco de atenção e companhia. Tocou-me muito, mas tal foi o atordoamento que a minha resposta não foi grande coisa, respondi apenas que como passo ali várias vezes que por certo nos voltaremos a encontrar.
Despedi-mo-nos e e fiz-me ao caminho... há quatros dias que esta história me vem constantemente à cabeça. Espero que em breve, ou na pior das hipótese quando chegar do caminho, uma das primeiras coisas a fazer será ir visitar o Sr. Adelino.
Como dizia num dos textos deste blog, todos os dias fazemos caminho, seja de casa para o trabalho, no trabalho, fora dele, até na estrada nacional 15... Bem-haja senhor Adelino, por este pedaço de caminho que me enriqueceu e fez ver a vida por mais um prisma diferente.
Faltam 14... 13 dias para me lançar em mais um caminho... até já!

domingo, 30 de maio de 2010

22 dias... menos um... detalhe!

A constatação mais fácil de fazer é que o tempo passa e passa depressa... e as coisas vão-se encaminhando não da forma idealizada, mas da forma como acabam por acontecer.
Penso que na vida é sempre assim, um daqueles clichés em que todos caímos: fazer planos para depois nos desviarmos deles ou eles se desviarem de nós, volta à carga a eterna relatividade das coisas... mas o que é certo é que as peças mal ou bem acabam por se encaixar por consequência das nossas acções, daquilo que nos propomos fazer e alcançar, tudo com a interferência de todos aqueles com quem partilhamos o nosso mundo... e assim mal ou bem as peças encaixam.

Há uns dias já valentes troquei um mail com um peregrino de bicicleta, o Manuel Correia, que acabou o caminho recentemente e que também montou o seu blog ao longo do caminho. Seguindo a sua dica combinei com o meu irmão para este me actualizar o blog diariamente, em função dos MMS que lhe for enviando... assim de uma forma muito prática a questão do blog ficou resolvida. Menos um detalhe com que me preocupar.

Agora falta começar com a logística da coisa: bilhetes de comboio, material, listas... e ainda que adiantado pensar um pouco em como preparar uma exposição especial, porque dado o apoio que tenho recebido tem de ser algo bonito e que possa exprimir a alegria de poder partilhar daquela forma o caminho com todos os que me têm incentivado à aventura.

Amanhã já será menos um dia... começa a corrida desenfreada... three weeks ticking...

Com este andamento todo e a cabeça a mil, por muita coisa idealizada, neste momento já não consigo ter esse discernimento... já estou como o senhor variações dizia... eu quero é viver... venha o caminho.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

25 dias... e um acrescento idiota

Para dar um andamento diferente ao projecto do caminho e envolver as pessoas, e resolver "problemas logísticos", pensei em realizar uma exposição de fotografia sobre a experiência desta aventura (as pessoas, as histórias, a natureza e as paisagens) e quem quisesse participar nesta iniciativa e dar o seu contributo pré-comprava uma fotografia que vai estar patente na exposição.

Assim retribuía o apoio dado em fotografias a cada apoiante (e especialmente dedicadas a estes).

As fotografias resultariam em ampliações assinadas 20x30 cm aplicadas em K-line para poderem ser emolduradas, fazendo uma exposição num local a acertar, as fotografias no final seguiam para a casa dos respectivos patrocinadores (seja entregue em mãos ou pelo correio).

O preço de cada fotografia exclusiva ampliada (aplicada em K-line) ficaria nos 20€, tendo de arranjar apoiantes para pelo menos 50 fotografias, de modo a suportar a logística dos 34 dias de travessia.

Cada apoiante seria livre de comprar à partida quantas fotos quisesse. Bastaria que o apoiante, me enviasse um email a dizer o seu nome, morada e contacto de email ou telefone, número de fotos pretendidas, e que confirmasse que efectuou a transferência. Para eu acrescentar na lista das fotografias especialmente dedicadas que terei de tirar durante o caminho.

Iria informando do número de fotografias vendidas, estas teriam de ser pagas antes da viagem como faz sentido para que o apoio seja real.

Isto sim é uma ideia totalmente idiota... ou será criatividade tuga sob o lema do desenrasca. O que pensam desta ideia para dar mais envolvência e participação desta longa aventura? Alguém quer contribuir? Quem ajuda a vender as 50 fotos?

Como quem não arrisca não petisca fica aqui o meu NIB, para eventuais almas patrocinadoras e apoiantes do projecto:
NIB 0035028600008235900 50 (CGD).