sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

o meu será um caminho de pessoas |mine will be a pahtway made of people

fotografia por Bernardo Conde 2009
photography by Bernardo Conde 2009


Nestes dias que têm passado a adrenalina da aventura tem tomado conta de mim, e as ideias não param de surgir. Faço fotografia, já num passo um pouco mais à frente do que o simples amador que fotografa por gosto, é um mundo que aos poucos gostaria de abraçar profissionalmente.

Ora o que é que a fotografia tem a ver com uma ida a Santiago? Por certo as paisagens, povoações e pormenores arquitectónicos, terão o seu encanto e o seu misticismo, mas depois de
várias idas a Fátima, Santiago e Finisterra a pé, como experiências de peregrinação, principalmente nesta última tive a percepção que o caminho é mais do que os passos que se dão, mais que as paisagens que se vêem ou que por vezes não porque o cansaço já não nos deixa levantar a cabeça. Mais do que isso, o caminho para além de toda a vivência interior, o caminho são as pessoas que se cruzam connosco, peregrinos de todo o mundo, habitantes locais com quem trocamos palavras como se não houvesse barreiras nem fronteiras, religiões ou crenças, é a partilha do mesmo sentido que a humanidade faz-se assim por criação de laços que nos fazem sentir que o mundo é pequeno e que o que nos separa uns dos outros é... nada.
Por este sentir, ao fazer o caminho tentarei fazer homenagem a todos os que já fizeram esta experiência e comungam deste sentir, tentarei fotografar (retratar) pessoas com quem me cruze ou possa vir a partilhar alguns quilómetros de caminho. Estou curioso para ver no que isto pode dar. Pedirei a cada pessoa 4 dados ou 5 dados: Nome, Local de Origem, Profissão, Idade e hipoteticamente algo aleatório que queiram partilhar.
Quem sabe se esta ideia não chegará a livro?
Esta ideia não poderá obviamente sobrepor-se à vivência natural do caminho, sobretudo é uma experiência para ser vivida e saboreada, tudo o resto vem por acréscimo.
Saborear... parece-me bem!

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Saint Jean Pied de Port

Esta povoação será o verdadeiro ponto de partida onde os meus pés passam a ser o principal meio de transporte. Os pés? Ou o espírito? Não sei qual deles será o mais importante, talvez o segundo, porque dizem eles que sem espírito nada se faz. E se eles dizem é porque deve ser verdade.

Assim, Saint Jean Pied de Port é o tradicional ponto de partida para o Caminho Francês de Santiago. É uma cidade velha e pitoresca. Há alguns mercados ao ar livre em torno da cidade, um bom lugar para comprar qualquer coisa que nos tenhamos esquecido. É uma comuna no département francês de Pyrénées-Atlantiques e é também a capital da antiga província basca de Nafarroa Beherea (Basse-Navarra).

A cidade encontra-se ao pé do rio Nive, a 8 quilómetros da beira espanhola. A cidade original era próxima de Saint Jean le Vieux e em 1177 foi arrasada por terra pelas tropas de Ricardo Coração de Leão após um cerco. Os reis de Navarra fundaram a cidade na sua actual localização pouco tempo depois.

Saint Jean foi sempre um ponto importante na rota da peregrinação de Santiago de Compostela, na passagem para Roncevaux através dos Pirinéus. As rotas de en Velay de Paris, de Vézelay e de Le Puy encontram-se em Saint Jean Pied de Port e era o último pouso dos peregrinos antes da dura travessia da montanha.

This town will be the true starting point of my journey, where my feet start to be the main transport. The feet? Or the spirit? I don't know which of them will be most important, perhaps as, they say that without spirit we get nothing. And if they say that, it must be truth.
"Saint Jean Pied de Port is the traditional starting point for the Camino de Santiago. It is a quaint old town, and normally fairly busy. There are a few outdoor markets around the town, a good place to get anything that you have forgotten to bring.

“Saint Jean Pied de Port (literally meaning “Saint John at the foot of the mountain pass” in French) is a commune in the French département of Pyrénées-Atlantiques. It is the old capital of the traditional Basque province of Nafarroa Beherea (Basse-Navarre).

The town lies on the river Nive, 8 km from the Spanish border. The original town at nearby Saint Jean le Vieux was razed to the ground in 1177 by the troops of Richard the Lionheart after a siege. The Kings of Navarre refounded the town on its present site shortly afterwards.

The town has traditionally been an important point on the Santiago de Compostela pilgrimage route, as it stands at the base of the Roncevaux Pass across the Pyrenees. The routes from Paris, Vézelay and Le Puy en Velay met at Saint Jean Pied de Port and it was the pilgrims’ last stop before the arduous mountain crossing."

in http://www.caminodesantiago.me.uk/st-jean-pied-de-port/

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

altimetria, o primeiro susto | altimetry, the first scare

fotografia de Bernardo Conde 2009
photography by Bernardo Conde 2009


Altimetria do caminho? Digamos ora sobe, muito, ora desce, muito. Após consultar estes dados num site, tive o meu primeiro susto. O caminho é bastante acidentado, pelo menos aparentemente. Mas nada me demove. Acho que vou repetir isto muitas vezes.

Altimetry of the way? Let us say however it goes up, a lot, however it goes down, a looot.
I had my first scare after consult these data in a website. The way is very rough, at least pparently. But nothing dissuades me. I think that I will repeat this thought many times.

o ponto de partida (aveiro - portugal) | starting point (aveiro - portugal)


O ponto de partida desta jornada começa na minha cidade natal, Aveiro.
Em poucas palavras, Aveiro é provavelmente uma das poucas cidades portuguesas onde se pode ainda viver com alguma qualidade de vida, sem o frenesim das grandes esperas no transito, onde podemos sair a pé e tudo fica perto. Tem Ria, tem Mar, tem Serra tudo a curta distância.Come-se e bebe-se bem. Tem ovos moles.
Posto isto, mochila feita e espírito aberto para a aventura devo fazer-me ao caminho para a estação ferroviária de modo a apanhar o comboio regional até à Pampilhosa.
Ali irei apanhar o Sud-Express rumo aos Pirinéus.
E assim começa a viagem.

Aveiro, my hometown is the starting point of this journey.
In few words, Aveiro probably still is one of a few portuguese cities that citizens have life quality. It hasn't the long time of waiting at the traffic, typical of the rush hours, we can walk by foot to anywhere because everything's near.
It has Ria, Sea and Mountains. Everything is at short distance. There we have good food and wine, and never forget the most delicious desert of the world - "ovos moles" (soft/sweet eggs).
After that, with my bagpack done and open spirit i should go... to the train station, and catch the regional train that goes to Pampilhosa, where i will take the Sud-Express into Pirinees direction.
And so the journey starts.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

os primeiros passos

fotografia de Bernardo Conde 2010
photography by Bernardo Conde 2010

Mais um ano que passou, um novo começa, a vida continua, os dias sucedem-se, e poderia continuar numa sucessão de palavras interminável que nos daria aquela sensação que de facto a vida é contínua e não pára, os momentos mesmo quando nada trazem, mesmo nesses o tempo passa e não volta.
Nestas alturas de início de ano, é costume fazerem-se balanços do mau do bom que a vida nos trouxe, pegar no essencial disso tudo e meter na mochila e fazer-mo-nos ao caminho de um novo ano. E nada como vir um início de ano frio, muito frio, com neve de preferência, dizem que "mata-o-bicho" e ficamos limpos, mais rijos e calejados para enfrentar os caminhos sinuosos e pedregosos de quem se arrisca a viver uma vida ao ar livre, ou simplesmente livre. Dadas as ponderações deste início, desafios são necessários para espicaçar a vida... Do gosto de fazer caminho, surgiu o desafio pessoal número um para este ano... 850 quilómetros de caminhos de montanha, estradas, lugarejos, cidades e vilas, de vivência aberta em contacto pleno com a natureza e o Homem - o caminho francês de Santiago de Compostela espera por mim. Faltam 171 dias para me lançar ao caminho, de 24 de Junho a 25 de Julho estarei entregue a mim mesmo numa jornada de partida solitária mas que por certo chegarei ao final, caso corra tudo pelo melhor, enriquecido de partilhas de momentos com estranhos oriundos dos quatro cantos do mundo, face a metáfora, uma vez que a terra não será quadrada, seria então acertado dizer oriundos dos quatro cantos do planisfério. Ir sozinho, medo? Não! Ansiedade! Transportes até Saint Jean Pied de Port e checklist de material já vistos, a partir dali seguirei pelo próprio pé. Seguiria hoje, mas para partilhar a festa de Santiago no seu dia, 24 para 25 de Julho, envolve aguentar os meses que faltam para me preparar. Será sobretudo um caminho de experiências, por certo aos primeiros passos me sentirei como uma pequena formiga num imenso carreiro, com a insegurança de uma criança que avança no desconhecido passo a passo, mas com a audácia de um adolescente de querer sempre ir mais além e com a maturidade de um adulto que com calma quererá saborear cada passo, paisagem ou o simples momento de cumprimento de quem passa. Um pé atrás do outro... assim se dão os primeiros passos num novo caminho.