segunda-feira, 28 de junho de 2010

24º Sinal | O sentido do caminho parte dois




O dia começou e já andei de baloiço, coisa que não fazia há uns anos valentes. Mas fora este à parte, a vivência de cada dia é uma autêntica descoberta do que estamos aqui a fazer. Pois hoje a minha função é coordenar o grupo da associação das patas coxas ou simplificando o clube dos coxos. Ser multilingue tem dado jeito para articular as informações entre os castelhanos, americanos e brasileiros que aderiram a este clube.
Por outro lado vamos transportando as mochilas de peregrinos que seguiram a pé mas que já não podiam com o peso... Ao menos somos coxos mas úteis. Aos poucos vamos encontrando coisas que dão um maior sentido a tudo isto... Afinal o acaso dos acontecimentos não será apenas por ser. A vida é bela com duas mochilas às costas, a minha e a da mãe Ana de Valência.

domingo, 27 de junho de 2010

23º Sinal | O sentido do caminho


Hoje não foi um dia fácil de digerir, por vezes é difícil de lidar com a não concretização das coisas como idealizamos. E sobretudo tudo parece pior quando escrevemos no calor do momento e com a cabeça quente. Depois do choque da manhã, tive dois momentos grandes... Que em parte me poderiam fazer ir embora já realizado. Ainda que ao longo do caminho que tenho vivido, tenha vivenciado a felicidade dos simples que aqui se vive por todos os poros de quem a muito custo com mochila às costas tem sempre uma palavra ou um sorriso ou almoço para partilhar... Hoje vivi dois momentos de plenitude do espírito do caminho. O espírito de construção de família e partilha de quem somos quando já éramos mais de dez peregrinos à volta de uma mesa e que sem quase ninguém se conhecer tudo se divide, tudo se compartilha... Um pouco em sintonia com a famosa multiplicação dos pães. Um momento maior, sem dúvida e que me realizou. O outro durante a tarde, é uma das razões que me prende aqui a esta vivência cem por cento humana, para além de todo apoio e carinho que me tem chegado da família a pessoas que pouco conheço. Pois foi, compartilhei um momento com o Eugénio, senhor italiano de secenta e cinco anos, que depois de ouvir o que me aconteceu, me disse que já havia feito o caminho duas vezes e que na primeira se lesionou no joelho mas ainda assim chegou ao fim. E nisto emocionado com as lágrimas nos olhos me disse: Partiste agora tens de chegar ao fim. Descansa, mas chega ao fim. Porque ao chegar é que tens aquele sentimento maior de quem fica contente por ter chegado mas triste por acabar ali. Trocamos o número de telefone para nos encontrarmos ao chegar a Santiago, despedimo-nos com um forte abraço e seguiu caminho. Aqui não há barreiras culturais, o incentivo de cada passo dado é a partilha do que se vive. Assim é o sentido do caminho, assim se vive.
A vida é bela de mochila às costas, mesmo quando não se pode andar. Ps: estou com aquela ansiedade de querer ficar bom, ver o tempo passar e não notar melhorias... há que ter calma e tempo... No fim de contas até vinte cinco de julho andarei por estes lados. No fim, tudo foi uma fase menos boa numa experiência inesquecível.

22º Sinal | A primeira descoberta do lado positivo


A fonte de vinho de Irache não deitava vinho hoje, assim quando passar por lá num dia que passe por lá já tenho algo que não teria tido o prazer de desfrutar. Ah e sou o único a ter o carimbo do hospital.
A vida é bela de mochila às costas mesmo quando não se anda a pé.

21º Sinal | Sonho desfeito... A descoberta de um outro lado do caminho





Acordei na mesma com dores no pé esquerdo, decidi ir ao hospital ver o que se passava... Depois de avaliação da médica e de dois raios x recebi a má noticia, estou com uma tendinite e impedido de fazer esforço durante quatro dias... Enfim uma desilusão total, era dia para um chorrilho de asneiras completo de a a z. Para o ano visita a Pamplona e fazer estas etapas que me vão faltar passam a estar marcadas. Estou a bater mal com a situação, voltar a casa e voltar para o ano? Ou voltar ainda este com e fazer seguido... Isto de ter os dias contados limitou tudo. Senão descansava por três ou quatro dias e seguia caminho.
Enfim... estou desanimado. A única piada do dia é que com mais dois empenados um de Barcelona e outro de Madrid fundámos o clube dos três coxos. Ainda deu para apanhar boleia até Los Arcos. Chegados ainda encontramos a chica basca Alicea que tem o mesmo que eu mas nos dois pés. Ela emprestou-me os comprimidos para hoje porque a farmácia está fechada e a próxima só a dez quilometros, ora ir e vir dava uma etapa. Ainda encontramos duas peregrinas e uma delas esteve a partilhar a sua fé em Fátima à conta de um problema de saúde de um dos seus filhos que acabou por se resolver. Enfim há que aproveitar o que o caminho nos dá, se me deu isto... no final tudo o que está a acontecer há-de fazer algum sentido... Assim são os passos do caminho.
Abraço meu e dos colegas empenados de volta para o Zé.

sábado, 26 de junho de 2010

20º Sinal | Já chove em Estella




E pronto quando nada mais falta aí esta ela... A chuva.

19º Sinal | Uncomfortably slow (desconfortavelmente lento)



Travelling again
I know exactly how it's gonna end
The routine day dream starts as I get off
I'm holding up the queue
Because my ticket won't go through
I know it should be simple but it's not

So don't take my photograph
Cos I don't wanna know how it looks
To feel like this
As cars and people pass
It feels like standing still but I know
I'm just moving uncomfortably slow

Something's gotta change
I know i'm lucky in a lot of ways
So why do I want more
Than what I have?
Brace myself to hear the lies
I wonder if they know that I
Don't get the jokes but I just
Need to laugh

So don't take my photograph
Cos I don't wanna know how it looks
To feel like this
As cars and people pass
It feels like standing still but I know
I'm just moving uncomfortably slow

I'm just moving uncomfortably
Slow down
There's infinite detail
When you break it down
It all becomes simple how
It all becomes clearer now

So don't take my photograph
Cos I don't wanna know how it looks
To feel like this
As cars and people pass
It feels like standing still but I know
I'm just moving sub-consciously
One day I guess i'll be
The man that you think you see
I'm just moving uncomfortably slow.

(para tradução da letra clicar aqui)

18º Sinal | A chegada a Estella





(As fotos são da vista do quarto, do massagista e de uma pausa de segundo pequeno almoço com algumas das pessoas com quem me tenho cruzado bastante)

A chegada que parece mais a queda de um meteorito... Estou a ver a minha vida a andar para trás. Os ligamentos do tornozelo esquerdo inflamaram e o mau andar andar desse pé está a dar-me dores muito fortes na anca, o facto de andar assim tem-me feito andar atrás do meu pseudo grupo.
Cheguei com as lagrimas no canto dos olhos porque os últimos quatro quilómetros foram tortura. Desde o início do dia que estava mal, mas foi agravando e a oito quilómetros de chegar já não aguentava um passo mais. Ao chegar a Llorca a minha malta estava cá fora de dois albergues a beberem qualquer coisa e eu a chegar podre a rebentar. O Mora, espanhol de madrid com ar de pirata das Caraíbas fez-me uma mini-sessão de reiki que depois foi continuada pelo Cláudio um argentino massagista que trabalha num albergue. Massagem feita o efeito durou por quatro quilómetros. Faltavam mais quatro. E foram os quatro piores do que fiz até hoje. O triste da questão não é a falta de preparação física, mas sim de casualidades do caminho como pedras ou perdas de calçado. Enfim, cheguei quase à uma da tarde. Dormi quase uma hora enquanto esperava para o banho, tomei banho e almocei o resto das batatas e chouriço tipo caldeirada que um casal de namorados espanhóis me ofereceram o que juntando dois ovos que um peregrino idoso me ofereceu, deu para improvisar uma tortilha. Bem haja este espirito. Estive numa amena conversa com um senhor francês, lavei a loiça do almoco e vim escrever que já não faço desde Pamplona. Mas decidi a partir de agora apenas colocar tópicos uma vez que não há tempo ao contrário do que esperava. Não sei como vai ser a minha vida amanhã... Se continuar mal mais vale dar um descanso de um dia, livrar-me de peso da mochila que talvez mande para casa, tipo o polar e umas outras coisas ínfimas mas que pesam. Isto de ter os dias contados é uma limitação que não devia existir para uma experiência destas.

17º Sinal | A caminho seguindo uma estrela


Afinal o dia começou um pouco mais tarde, ainda bem. O meu pé esquerdo continua mal, o joelho direito e virilha para compensar começam a acusar o esforço faltam catorze dos vinte. Hoje tento alcançar a Estella, como quem persegue um sonho. Na foto vai o Peter e Bernd (o Bernardo alemão). Até mais logo.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

16º Sinal | A energia de Santa Maria de Eunate

Hoje a segunda metade do dia foi de matar... Aquilo que estava à espera que acontecesse chegou em força - o calor. Falo de um forno que mal bebemos água instantaneamente a boca se seca. Para ir visitar esta ermida tive de fazer um desvio de mais de dois km o que agravou o andar cada vez mais pelo calor dentro. Mas chegado ao local tive um dos momentos bonitos até agora... Um encontro com uma peregrina alemã de nome Manuela. Tive uma boa e bonita conversa com ela sobre as razões de cada um fazer o caminho. Ela estava para fazer isto com o pai que faleceu o ano passado, e ainda no processo de digestão do sucedido veio até ao caminho ligar-se de novo ao mundo, como que fazendo uma iniciação. Convenceu-me a fazer o ritual de dar sete voltas descalço à volta da capela por uma calçada feita de pedras colocadas de forma a ter uma superfície texturada e não lisa o que apesar do desconforto quando não acertava nas pedras melhores para colocar o pé, revelou-se ser uma boa maneira de massajar os pés. Um bom momento para pensar que aquilo seria um bom exercício para pensar na vida, porque a vida é assim mesmo, escolhemos caminho e onde pomos os pés, mas mesmo assim tropeçamos e há aqueles momentos que não controlamos e que nos aparecem as pedras mais afiadas e magoam. Eunate tem lição de vida. Os últimos seis quilómetros e meio até ao albergue santiago foram tortura falta de água e calor intenso. Bem almoçado apenas às três da tarde, Banho tomado e sesta feita foi altura do banho de piscina. Tenho a articulação de dobrar o pé esquerdo em mau estado e vou ter de usar halibut para tentar travar o outro tormento da assadura nas partes interessantes. Amanhã vamos ver como acordo. às cinco temos de estar andar por causa do calor. Testei umas sapatilhas novas da Decathlon e não correu mal, acho que fiz boa compra para os setecentos e tal que faltam. A ver... Mal ou bem cheguei. Quatro de trinta e uma já estão. Passo a passo e nós vamos... Dizem-me os espanhóis que me tratam como português. Mais um dia cheio. Peçam para o calor ir embora... Dava jeito. De terras de navarra... Até quase ao fim do mundo. Espero que tenham podido semear um pouco mais de paz por aí hoje.

15º Sinal | No alto do perdão não sentei nem chorei... Engoli em seco




Aqui onde se cruza o caminho do vento com o das estrelas sabendo que como todo os homens falham, eu não sou diferente e por tal, por todas as minhas a falhas convosco e comigo mesmo... Desculpem. E assim se faz ingenuamente um reconhecido pedido de desculpa. E agora sim sinto-me em casa.


14º Sinal | A caminho do alto do perdão



Hoje estou no caminho da etapa talvez com mais significado para mim: a da subida imponente ao alto do perdão. É caminho de vida é de redenção... Hoje é dia de reconhecer as faltas e falhas... Hoje é dia de pedir desculpa e de perdoar o que houver a ser perdoado. Hoje é dia... Paz para todos. Amem, respeitem, entreguem, arrisquem, perdoem, abram-se ao mundo, quebrem as barreiras do preconceito, sobretudo amem. Como dizia o Raul Solnado, façam o favor de ser felizes. Sem lições de moral e de coração aberto. Bernardo



PS: em jeito de favores em cadeia, façam as pazes com alguém que precisem de o fazer e passem a palavra... Talvez dê para um pouco mais de paz no nosso universo.

13º Sinal | Hoje uma hora mais tarde, aqui vou eu...

quinta-feira, 24 de junho de 2010

12º Sinal | Às portas da praça de toiros de Pamplona, olé!

O dia para mim chega ao fim. Foi bonito pela paisagem e pela cidade, intenso por fazer e partir sozinho para uma etapa onde finalmente pude estar comigo mesmo o que me deu para um ataque de choro no lusco fusco do nascer do sol. Estava a ouvir a musica que coloquei num dos posts anteriores quando me bateu fundo estar a concretizar um sonho, mas que foi muito sofrido para chegar aqui ao longo de quase um ano. Só pensava que raio de vida foi vivida e me conduziu até aqui, era preciso passar por tudo isso? Como sempre ou quase sempre, se calhar era. Um sonho... em vias de concretizar mas que falta ainda tanto. Ponho-me a projectar os dias futuros e perco a noção do que falta... Dia após dia e ponto final. O calor começou a dar sinais de abrasador no pior sentido da palavra, amanhã estou em marcha a partir das seis, queria cinco mas um português que concluiu o caminho de ida e volta aqui, disse que não valia a pena. Espero que esteja correcto.
Pamplona é cidade a voltar. Grande movimento nas ruas multicoloridas, catedral de respeito e uma praça de toiros que pouco mais deu para ver do que as portas. Tenho continuado a conhecer gente entendida como tal... Sempre a acrescentar nacionalidades... Lição de hoje, tanto no caminho como na vida temos de estar preparados para tudo. Ps: hoje fui nomeado cozinheiro, fazendo o almoço e jantar do clã espanhol com quem tanto tenho compartilhado o meu tempo. E bebi o primeiro vinho da rioja do caminho com o português Mário de Espinho, o tal que terminou aqui. O vinho não é mau...
Como diz um amigo meu, e tudo começou à mesa com pão e vinho.
Mais havia a dizer mas vai ter de ficar para depois do regresso, uma vez regressado a casa poderei fazer uma versão mais detalhada de tudo. Assim espero que este pouquinho vá servindo para dar uma pequena noção do que é isto tudo. Apesar de não ter aprofundado nada até agora, acreditem... Isto é mais que andar de um sitio para o outro ... Toda a vivência interior todos os "questionamentos" nos fazem mexer, despertar o que estava adormecido, inquietar o que não se sabe, e gerir o imprevisto de cada passo. A vida é bela (e dura) de mochila às costas.

11º Sinal | Ando à procura da minha sapatilha mas já cheguei




Dia que corria às mil maravilhas até que a chegar a Pamplona, o Amauri um rapaz francês que apanhei pelo caminho me pergunta pela minha segunda sapatilha que vinha presa na mochila. So me apeteceu dizer asneiras, nada disso... Disse mesmo. Fiz cinco quilómetros para trás até a uma ponte ao pé de um albergue em Vilalba que tinha sido aí que um peregrino a tinha visto. Perguntei no albergue e a senhora disse que o frade realmente também tinha visto uma na ponte. Mas agora nem sinal dela. Voltei a Pamplona na companhia do Benjamin. Tenho de ver se desenrasco aqui qualquer coisa. Sem muitas palavras, mais digo que Pamplona é imensamente bonita e este albergue é brutalmente bom, diria de cinco estrelas. A vida de mochila às costas é bela...

10º Sinal | Banda Sonora da manhã

A 3 Km de Pamplona, esta é a energia que anda por aqui...

9º Sinal | Deitar cedo e cedo erguer espero que dê saúde

Hoje pelo que tem custado as pontas finais de cada etapa, levantei-me às quatro e quinze para sair às cinco. Fui o primeiro a sair mas a habilitar-me a perder-me no escuro porque podemos deixar escapar uma marca de sinalização. Vinte minutos de caminho e até agora tudo vai bem neste teste de levar as sandálias calçadas. O escuro acaba por ser nosso amigo tira-nos o impacto visual das subidas. Desde o pronto amanhecer... Em direcção a Pamplona não tarda nasce o sol.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

8º Sinal | Menos um...

A etapa de 22 km até Zubiri o que tem de pior são as descidas, com pedras e afins, boa para dar cabo dos joelhos. Mas é uma etapa bastante acessível, teria corrido na perfeição se as sapatilhas nas descidas não me massacrassem os dedos grandes dos pés. Era uma e meia já estava no albergue com banho e roupa lavada e merenda comida. Resta tempo de descanço e de escrita. Amanhã é outro dia. Tem acontecido muita coisa que aos poucos vou anotando num caderno. Tenho conhecido gente de todo tipo mas uns com vidas especiais. É o caso do Yves, canadiano do Quebec, que se encontra a fazer o caminho em jeito de agradecimento por as pernas ainda funcionarem depois de ter tido um acidente e por quatro milimetros não teve uma lesão que o deixava paralisado. Faltam entre vinte e nove a trinta etapas. Tem sido importante saber que tanta gente me vai dando forca neste caminho... Até amanha... Dia de ir até Pamplona.

7º Sinal | A caminho de Zubiri


Levantar às seis, começa a romaria, seis e meia pé ao caminho. Fresco o tempo, bom para andar. Um início atribulado devido a má sinalização, mas tudo resolvido. Tudo é verde por estes lados... Um pé outro pé, e cá vamos andando. Daqui a uns dias acho que perco a noção do tempo... Faltam 30 etapas, pensar nisso dá-me vontade de sorrir.

terça-feira, 22 de junho de 2010

6º Sinal | Cheguei Cheguei a Roncesvalles, cansado.

Cansado é uma palavra gentil. Fiz o último quarto da etapa totalmente sozinho, com a excepção dos últimos mil metros que vim acompanhado por uma senhora suiça. As descidas do último terço são uma dor de cabeca para os joelhos, pés e pernas. Uma bolha, e uma sensação de que o pior esta feito embora não seja verdade, faltam ainda quase oitocentos quilómetros e tudo é possível o melhor e o pior. Fui, sou privilegiado e abençoado mesmo em dificuldades tudo o que pude ver me fez sentir o quão pequenos somos as paisagens são de pasmar. Existem coisas que só vendo e sentindo, mas como eles dizem... É como tudo na vida. Mentira, isto é especial demais para ser como tudo na vida. As pessoas desdobram-se em nacionalidades diferentes já devo ter passado as dez. É chamado contacto com o mundo... Quase inteiro. Amanhã é outro dia...

5º Sinal | por entre as nuvens

Faltam as palavras para poder descrever a escalada dos montes dos pirinéus dura muito dura, mas a beleza da paisagem é infinitamente superior. A etapa vai a meio. Sou o único português a sair daqui neste dia. Partilho caminho com espanhóis, franceses e italianos e um inglês.