sexta-feira, 16 de julho de 2010

45º Sinal | O renascer




A expectativa para hoje era grande, muito de tanto se ouvir falar da famosa subida até Ocebreiro. Começámos cedo, na habitual hora do costume, seis da manhã. Fazia frio, mas antes assim. A passo lento sem forçar fomos andando. Até um pouco antes de La Faba foi pacífico, depois começou a dura subida, mas não é assim tão má. A dada altura da subida, o espírito do caminho, de abertura aos outros reapareceu quando ao cruzar-me com duas peregrinas americanas, mãe e filha, surgiu uma conversa e um à vontade que só seria espectável com alguém que já viesse a fazer caminho de longe, o que era o caso, tinham começado no mesmo local que eu e iriam acabar um dia depois de mim. Foi com a filha que segui caminho até ao topo, com conversas sobre culturas, caminhos e vidas. Esta conversa distraiu-me tanto que nem dei pela dificuldade do caminho. Ao chegar ao cimo estava um italiano a dar força com som de um corno e a distribuir mensagens de paz e outras coisas de boa energia, assim como dava ramos de flores às mulheres e raparigas. Era tal a boa energia do senhor que lhe pedi um abraço. Foram estas duas pequenas coisas que tornaram o meu dia diferente e que me fizeram ter esperança que ao virar da esquina podemos ter uma boa surpresa. O resto do dia foi pacífico, entre passeios na aldeia e descanso. Deu ainda para fazer a boa acção do dia em que ofereci um guia que tinha comprado em Saint Jean a duas peregrinas que andavam desorientadas. Assim se faz caminho e se embeleza uma vida de mochila às costas, fiquei um pouco mais rico hoje.

3 comentários:

o Chefe disse...

As surpresas do caminho sem nada em troca...
Ultreia
o Chefe

Anónimo disse...

Olé primo: Não tenho vindo ver as noticias, tenho preguiçado...ou talvez não...bem, mas o que importa ´e que vais chegando cada vez mais perto, e fazendo novas amizades,estás bem perto do terminus da tua ESPINHOSA MISSÂO.Grande PRIMO. Beijo grande.PRIMA DORA

raquel rei disse...

olá Bernardo. provavelmente não te lembras de mim, chamo-me raquel e sou amiga da rita. hoje descobri o teu blog, e acabei agora de o ler de fio a pavio, adorei. realmente devias escrever um livro, fiquei fascinada pelo teu percurso e pela tua escrita. gosto muito. força para o resto do caminho e continua os teus relatos sabendo que os vamos ler e que estamos contigo nesta tua caminhada de fé.
raquel rei